José Carlos de Almeida - Projeto Criança em Movimento Obesidade Infantil em Maracaju: Para não criar filhos obesos, é preciso parar de usar a comida como recompensa

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Para não criar filhos obesos, é preciso parar de usar a comida como recompensa

 No processo de reeducação alimentar, toda família precisa colaborar
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Quem tem filhos e nunca sonhou com a cena do anúncio de um complemento vitamínico, no qual o garoto bate o pé em um supermercado, exigindo uma porção de brócolis? Pena que a situação é pura invenção publicitária. As mães do mundo real travam uma batalha de consciência, quando seus filhos pedem guloseimas abarrotadas de açúcar e gordura trans: ceder ou não ceder? Se sim, podem colocar em risco a circunferência e a saúde da criança. Senão, podem se culpar por privá-lo de tão inocente prazer, uma vez que não pode contar com o carinho e a segurança da mãe o dia todo, pois ela fica ausente oito horas por dia, no trabalho.

Essa atitude, aliada, à predisposição genética para a obesidade, entre outros fatores, tem ajudado a aumentar os números de crianças e adolescentes com sobrepeso e obesas. "A comida exerce um papel cultural importante e recusar alimento pode ser muito difícil para algumas pessoas. Principalmente, para as mães que trabalham fora", diz a médica Cristiane Kochi, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Ainda hoje, persiste a crença de que uma menina ou menino gorduchinho é o retrato de uma criança saudável. Esse conceito perdura mesmo nos tempos da informação rápida e acessível. "Os pais, muitas vezes, não respeitam a saciedade da criança", diz Cristiane. "Desde muito pequenas, elas já têm seu mecanismo de fome e saciedade bem estabelecido. Mas queremos que eles comam a quantidade que nós julgamos necessária, e sempre usamos a famosa frase 'come mais uma colherada, a última, vai'."

Alia-se a esse arsenal o bombardeamento que a indústria de alimentos pratica para conquistar as crianças, com a ajuda da mídia, propagando uma grande quantidade de produtos anabolizados por gorduras trans e açúcares. É um cenário de uma guerra difícil de ser combatida. O que, então, fazer para melhorar esse quadro?

É unânime, entre especialistas e sociedades médicas, que é preciso iniciar uma rotina mais dedicada a atividades físicas e evitar a ingestão de alimentos muito calóricos e pouco saudáveis. E se está difícil convencer seu filho de que o menino que gosta de brócolis está certo, talvez seja mais fácil começar dando-lhe uma bola de futebol e matriculando-o numa escolinha da modalidade.

Mesmo que o dia a dia corrido não ajude na aplicação dessas medidas e a tentação do fast food bata com força à porta, o exemplo tem de vir de cima. Afinal, são os pais que ditam o ritmo de uma família. No Brasil, o consumo de alimentos inadequados é grande entre adultos. Segundo pesquisa do IBGE, realizada entre 2008 e 2009, aproximadamente 61% dos brasileiros apresentam ingestão excessiva de açúcares.

"É importante envolver toda a família nesse processo de mudança de comportamento e reeducação alimentar. Todos precisam estar dispostos a adotar hábitos mais saudáveis, para o tratamento funcionar", explica a médica Cristiane. "A criança percebe o mau hábito alimentar dos pais como uma incoerência, já que cobram dela comer de uma maneira mais saudável", diz a psicóloga Ruth Helena Oliveira de Souza, que atende crianças a partir de três anos, em seu consultório em Brasília, e é co-autora da coleção de livros infantis "Faça Seu Mundo Melhor".

Quanto antes começar esse processo, mais garantida fica a saúde da criança (e de todos). A médica Cristiane Kochi alerta para o complexo período da adolescência --quando mais aparecem as complicações relacionadas à obesidade. "A intervenção antes dessa faixa etária é fundamental", diz ela. "Nesse processo, o mais importante é que os pais tenham calma, paciência, tolerância e, claro, amor", diz Ruth Helena. 
FONTE: http://gazetaweb.globo.com/v2/noticias/texto_completo.php?c=248879

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